
Gilson (49) mora no Povoado Gavião e é um trabalhador autônomo. Ao longo dos últimos anos, conseguiu melhorar de vida comercializando bebidas, mas o Carnaval de Palmeira dos Índios deste ano se tornou seu pior pesadelo, sobretudo pelo atraso de salário de mais de 1.500 contratados pela prefeitura. Servidores, que saíram de casa, apenas 'assistiram' a Folia de Momo.
“O Carnaval é uma grande fonte de renda, mas precisa de eventos e de dinheiro no bolso do povo, se não o produto ‘boia’. Esse ano muita gente não viajou e quem ficou tava liso porque a prefeitura pagou as bandas, mas esqueceu de botar o real na mão do povo”, conta.
Em 2023, mesmo após a pandemia, Gilson bateu a meta pessoal e o que investiu faturou o dobro em vendas. A conquista lhe proporcionou um grande alívio após a Covid, sempre acompanhado da esposa e de seus dois filhos. Já esse ano, sobrou bebidas e a reclamação geral era porque a prefeitura não pagou os salários de janeiro dos servidores contratados.
“O que eu conseguiria em um mês, trabalhando vendendo bebidas nas ruas, já levantei em um final de semana de blocos, mas esse ano infelizmente volto com carrinho cheio. Era uma renda que me garantia uma segurança durante alguns meses, mas fazer o quê né?”, completa.
Em matéria do portal Tribuna do Sertão, uma servidora municipal falou sobre a frustração em ter que passar a Folia de Momo sem dinheiro, enquanto que servidores do alto escalão curtiram o Carnaval em cidades do litoral alagoano e até em outros estados.
"É Carnaval e os contratados de Palmeira estão sem salário. Será que sai na quarta-feira de cinzas ou só no final do mês? Ótimo, dia 15 chegando e os servidores sem salário. Cadê a folha unificada que ele (prefeito) prometeu? A falta de respeito é imensa e quem reclama já sabe, é rua," contou.