
Carlos Alberto da Silva (64) é um ex-funcionário da Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco) e ex-assessor parlamentar do deputado federal Paulão (PT/AL), mas atualmente anda perambulando pelas ruas da capital pernambucana, sem lenço, sem documentos e a quilômetros de distância da família que reside, parte em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, parte em Salvador (BA), mas que hoje prefere fazer de conta que ele não existe.
Nesta quarta-feira (29), Carlos Alberto, que sofre de Alzheimer, pediu ajuda numa cafeteria, em pleno centro do Recife (PE), já que nem sabia que estava em sua terra natal. Foi quando os funcionários do estabelecimento decidiram ajudá-lo a encontrar parentes ou alguém que pudesse o acolher. Os colaboradores da cafeteria publicaram uma foto do cidadão nas redes sociais com informações que ele conseguiu lembrar, como alguns locais onde trabalhou e que tem familiares em Arapiraca (AL) e em Salvador (BA).
Não demorou muito e as primeiras respostas chegaram, mas não devem ter agradado muito ao Carlos Alberto, já que a família não se interessou em sequer manter contato com ele que é pai de seis filhos, três homens e três mulheres. O que se sabe, até o momento, é que ele também já trabalhou numa sapataria, passou pela empresa Mibasa, foi assessor do deputado estadual Tarcizo Freire (PP) e chegou até a disputar o mandato de vereador nas eleições de 2016 pelo Progressistas, em Arapiraca.
Carlos Alberto foi acolhido pelos funcionários do Hospital Psiquiátrico Ulysses Pernambucano (Hospital da Tamarineira) e a expectativa é que seja encaminhado para um abrigo, nas próximas horas, enquanto não encontra ‘um destino’, que naturalmente poderia ser o de voltar pra casa, mas isso não deve ocorrer segundo a vontade dos próprios filhos. O pessoal da cafeteria confirmou que alguém da família informou que já estava ciente e que tinha visto a notícia na internet, mas ninguém se prontificou em ir ao seu encontro e ainda reagindo com descaso.
Independente daquilo que o Sr. Carlos Alberto fez ou tenha deixado de fazer para seus seis filhos, que residem em Arapiraca e em Salvador, muita gente acredita que não seja o momento de mágoas, mas de humanidade e respeito ao ser humano. O pessoal da cafeteria ou da unidade hospitalar do Grande Recife, talvez não esteja esperando que alguém chegue com presentes ou que leve o cidadão pra casa nos braços, mas que no mínimo consigam o fazer lembrar que, além de parentes em Alagoas e na Bahia e dos locais onde trabalhou, ainda existem dignidade e amor.