
Por um instante, Rodrigo Cunha acreditou estar surfando a grande onda da política alagoana. Ex-senador com mandato até 2026, decidiu trocar a robustez de um cargo no Congresso Nacional pelo posto de vice-prefeito de Maceió, numa aposta ousada – e, como a história tem mostrado, precipitada.
A lógica era simples, quase matemática: o prefeito JHC, em rota ascendente, deixaria o cargo em abril do próximo ano para disputar o governo do estado, abrindo caminho para que Rodrigo assumisse a prefeitura da capital. Era o tipo de jogada que, no papel, parecia infalível. Mas política, diferentemente da matemática, tem variáveis demais e certezas de menos.
Eis que JHC, numa reviravolta digna dos bastidores de Brasília, “fez o L” – aderiu ao governo Lula e ao grupo político dos Calheiros, ao aceitar a indicação de sua tia, Marluce Caldas, para o STF. A simbólica nomeação foi mais do que um gesto de conciliação; foi um pacto firmado em mármore: JHC deve permanecer na cadeira de prefeito até o fim e apoiar a candidatura de Renan Filho ao governo de Alagoas. Rodrigo, portanto, não herdará o trono.
O resultado é que Rodrigo ficou sem mandato, sem grupo político e sem projeto. Abandonou Arapiraca, onde era uma liderança consolidada e cotada como nome forte para suceder Luciano Barbosa. Transferiu seu domicílio eleitoral para Maceió e, ali, esperava fincar raízes. Mas a praia em que apostou virar cais, virou deserto.
Hoje, Rodrigo Cunha parece um náufrago político: isolado, sem bússola e sem terra à vista. Trocar o Senado pela vice-prefeitura exigia um timing perfeito, um alinhamento de astros que não aconteceu. E agora, faltando menos de dois anos para o fim do mandato de vice, resta-lhe o gosto amargo de quem abriu mão do mel e ficou sem a cabaça.
Na política, há erros que ensinam. E há apostas que custam caro. Rodrigo escolheu sair do palco principal por um camarote que virou porão. A pergunta que fica é: haverá tempo — e terreno — para recomeçar?