
A arapiraquense Gabriela Vieira Cruz, vítima de violência doméstica pelo ex-companheiro, resolveu romper o silêncio e contar detalhes da vida que vivia com o agressor. As imagens foram produzidas pela Diretoria de Comunicação do TJAL com mulheres que denunciaram seus agressores, superaram a violência doméstica e hoje tocam suas vidas com apoio de diversas instituições públicas e privadas. (Confira o vídeo na íntegra no final da matéria).
Ciúmes:
"Era em excesso. E antes eu não via isso. Como um abuso, né? Era só um ciúme de alguém que estava tentando preservar a mim ou até mesmo o relacionamento. Se a gente estivesse em um determinado lugar ele observava as pessoas que me olhava".
Apoio:
"Eu conversei muito com a minha mãe, a minha mãe foi o esteio pra mim e eu resolvi sair e me desvencilhar disso, essa situação de violência psicológica".
Tipos de violência:
"Eu acredito que assim como eu muitas mulheres ainda vivem achando que não é. Que que a violência que só é violência quando alguém me machuca na sua carne mesmo quando alguém lhe bate".
Conselhos:
"Eu recebi um conselho duma prima que ela disse por que você não procura ajuda? E eu falava pra mim mesma eu dizia como é que eu vou falar pra alguém que essa pessoa está fazendo isso comigo se isso não não é nada e ele também reforçava muito isso ele dizia".
Palavras do agressor:
"Eu não estou lhe batendo. Eu não lhe machuco. Você vai dizer o quê? Infelizmente eu fui deixando né? E consequentemente a violência foi se estendendo".
As agressões:
"Ao ponto dele me perseguir e quando eu comecei a falar pra ele que eu ia denunciar ele foi e me agrediu, ele me empurrou e bateu na altura do meu peito, né? E me me jogou com outra parede".
Decisão:
"Nesse dia eu não tive mais assim dúvidas alguma que eu podia buscar ajuda e foi na delegacia fiz o BO depois o BO e fui direcionada pra o complexo".
Acolhimento:
"E lá foi realmente um divisor de águas porque as meninas me ouviram e eu me senti eu senti que a minha dor ali era válida e que eu realmente era, foi realmente um divisor de águas porque as meninas me ouviram e eu me senti, eu senti que a minha dor ali era válida e que eu realmente era um ser humano, que estava precisando de de ajuda uma mulher que é vítima de violência doméstica ela se sentiu em nada mesmo você se sente menos que um objeto você não se sente nada".
Apoio:
"Eu vi que eu não estava sozinha e que por mais que a minha dor me doesse, existiam mulheres que estavam passando por situações muito piores que a minha no complexo, a gente não se encontra só com a patrulha né? Tem todo o aparato tanto judicialmente né? Na questão dos advogados pra tirar suas dúvidas questão psicológica também isso é de uma tremenda importância".
Superação:
"Hoje a minha mãe e os meus filhos são o motivo que eu tenho pra sorrir, pra me levantar todos os dias, de ir em busca dos dos meus ideais, porém é possível sorrir de novo. Enquanto você está lá na naquela prisão você acha que que aquilo nunca vai passar. Mas eu vejo isso como as estações do ano. Não é inverno o ano todo. Né? Eu creio piamente nisso".
Não se cale, denuncie:
"Pra tudo como a bíblia diz, tudo há um tempo. Determinado debaixo do sol. E o meu tempo de chorar ele cessou. Você mulher que é vítima de violência doméstica seja ela qual for. Você tem uma voz, você é uma voz, procure ajuda, busque ajuda, fale com alguém, fale o que você está passando, o que está sentindo porque a sua voz é válida e você merece sim ser feliz. Ninguém nasceu pra viver vítima de violência nenhuma e e sobre o jogo de ninguém".
Arena do empoderamento
O projeto Arena do Empoderamento Feminino, da Coordenadoria da Mulher do TJAL, oferta, nesta sexta-feira (25), em Maceió, diversos serviços para mulheres, como expedição de documentos, serviços de saúde, beleza, rodas de conversa, atendimento da Defensoria Pública.
Apoiada pela Presidência do TJAL, a ação começa às 8h e vai até às 16h, no Centro Municipal de Educação Infantil Professora Fúlvia Maria de Barros Mott Rosemberg, na Cidade Universitária, com apoio da Prefeitura de Maceió e do Governo de Alagoas.
O bairro Cidade Universitária foi o escolhido para sediar o evento em razão da elevada demanda por conscientização sobre combate à violência doméstica e ainda por ações sociais que contribuam para o empoderamento feminino.
“Essas mulheres dificilmente têm condições de pegar condução para um shopping da cidade, elas mesmas falaram que não vão ao shopping, não seriam atingidas naquele espaço. Elas falaram que essa ação também é histórica porque, pela primeira vez, estão tendo visibilidade para serviços que não chegam até elas”, explicou a magistrada Eliana Machado Acioly.
Serviços ofertados às mulheres
De acordo com a juíza, as atividades serão exclusivas para mulheres e seus filhos. “Para a ação, o Município de Maceió levará vacinação, aferição de pressão, testes rápidos, citologia, exames clínicos gerais, pediatria, serviços de autoestima como corte de cabelo, escova, massoterapia, atualização do CAD Único, inscrições no Emprega Mulher. Vai levar inclusive um parquinho inflável para as crianças”, revelou.
O Governo do Estado também estará presente por meio da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), Patrulha Maria da Penha, Secretaria do Turismo (Setur-AL), Escola do Governo, CAD Único, Instituto de Identificação, Secretaria da Primeira Infância (Secria), Rede de Atenção às Violências (RAV), Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços de Alagoas (Sedics).
“Ainda será prestado serviços da Defensoria Pública, estará com o ônibus para atendimento ao público. Teremos uma gama de serviços e nesse meio tempo serão feitas rodas de conversa para conscientização sobre violência doméstica contra a mulher e feito os devidos encaminhamentos”, finalizou a juíza Eliana Machado.
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